ARTIGO Jornal Diário do RN: Conversa Livre por Bosco 25/06/2026 às 12:27

O CENTENÁRIO DE UM LÍDER DA JUVENTUDE
Nessa terça-feira passada, 23 de junho, a brisa que sopra do mar de Macau trouxe consigo um eco de gratidão que atravessa gerações. Se estivesse entre nós, o Padre João Penha Filho estaria completando 100 anos de nascimento. Para os macauenses especialmente, e para tantos potiguares, a data não é apenas um marco cronológico; é o centenário de uma alma que se doou inteiramente ao próximo, um líder cuja presença física deixou saudade, mas cujo legado permanece vivo na identidade de uma terra inteira.
Falar do Padre Penha — ou carinhosamente “Joquinha”, para os mais próximos — é falar de uma sensibilidade humana rara. Ele possuía o dom divino da escuta e da palavra. Em uma época de profundas transformações, sua voz não ecoava apenas do púlpito; ela alcançava as calçadas, as salas de aula e, principalmente, o coração da juventude. Com paciência e um carisma magnético, ele sabia conversar com os jovens na linguagem deles, orientando-os pelos caminhos da fé e da retidão, mas sempre apontando para o horizonte da educação como a verdadeira ferramenta de libertação e sobrevivência.
Sua visão vanguardista transformou Macau no farol educacional da região salineira. Compreendendo que o futuro de um povo dependia do saber, ele foi pioneiro ao estabelecer na cidade os cursos ginasial, pedagógico, técnico em contabilidade e foi peça fundamental na instalação do Campus Avançado da UFRN, abrindo portas antes inimagináveis para milhares de rapazes e moças de todo o vale do Açu e arredores.
Mas o Padre Penha sabia que a formação humana ia além dos livros. Maior incentivador do escotismo no Rio Grande do Norte, ele plantou em Macau as sementes do Grupo de Escoteiros “Guy de Larigaudie” (em homenagem ao jornalista e escritor católico, nascido na França) e da Companhia de Bandeirantes. Nesses movimentos, ele não via apenas disciplina, mas uma escola de vida, moldando o caráter de jovens sob os pilares da solidariedade, da liderança e do amor à pátria.
Sua fé se traduzia em ação. Engajado nos movimentos sociais da Igreja, Joquinha foi um defensor incansável dos vulneráveis, criando alternativas reais de amparo para as famílias mais carentes de Macau. Sua autoridade não vinha da imposição, mas do respeito conquistado pela coerência de sua vida.
Cem anos após o seu nascimento, as marcas de sua passagem continuam gravadas no Ginásio Nossa Senhora da Conceição, hoje Centro de Educação Integrada “Monsenhor Honório”, e no caráter de cada cidadão e de cada cidadã que ele ajudou a formar. Padre João Penha Filho não passou pelo mundo em vão; ele se eternizou na história de seu povo. Nesse dia de celebração e saudade, Macau se curvou em reverência à sua memória. Salve Padre Penha! Salve Joquinha! Sempre Alerta, Chefe!





Deixe um comentário