RIO GRANDE DO NORTE Jornal Diário do RN: Conversa Livre por Bosco Afonso 18/06/2026 às 14:28

O DESGASTE DA CANDIDATURA DE ALYSSON
As pesquisas de intenção de voto desenham um cenário de calmaria e liderança isolada para o ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (UB), na corrida pelo Governo do Estado. Confrontando as forças de Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT), Alysson caminha, em tese, em terreno pavimentado. No entanto, o subsolo da política norte-rio-grandense guarda trepidações capazes de engolir favoritismos.
O fantasma que ronda a pré-candidatura do União Brasil atende pelo nome de Operação Mederi, deflagrada em 27 de janeiro passado pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), e que agora ganha contornos de crise de credibilidade.
Recentemente, em entrevista a uma emissora de rádio em Natal, Alysson buscou blindar-se com o manto da transparência absoluta. Afirmou categoricamente que havia fornecido, de livre e espontânea vontade, as senhas de seu celular, notebook e pen-drive aos investigadores federais. A narrativa da colaboração plena, contudo, ruiu. Documentos oficiais da Polícia Federal, revelados pelo jornalista Dinarte Assunção em seu Blog do Dina, desmentiram a versão do ex-prefeito, apontando que ele se negou formalmente a entregar os acessos.
Essa flagrante contradição acende o sinal vermelho no painel eleitoral e indica que Alysson teme o que a PF pode extrair de seus dispositivos sobre o suposto desvio de recursos públicos na saúde de Mossoró.
Ao faltar com a verdade sobre as senhas, o líder das pesquisas cria um vácuo de desconfiança e atrai para si o mesmo script de desgaste que hoje sufoca uma candidatura de porte nacional: a de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O paralelo entre Alysson e Flávio Bolsonaro é pedagógico e inevitável. Ambos sustentam pré-candidaturas majoritárias ancoradas no recall de popularidade e no apoio de bases consolidadas.
Contudo, ambos se encontram encurralados pela marcha implacável de investigações federais e pelo desgaste de suas defesas perante a opinião pública. No plano nacional, a postulação de Flávio cambaleia sob o peso de revelações explosivas e o avanço de apurações que sufocam sua viabilidade política e geram desconfiança no mercado e na própria oposição. No RN, Alysson experimenta o primeiro gosto desse amargo processo.
A negação das senhas funciona na política como uma confissão tática de vulnerabilidade. Se a PF encontrar elementos comprometedores nos dados que fatalmente serão acessados por vias técnicas, o revés na candidatura de Alysson Bezerra não será apenas uma possibilidade, mas uma certeza matemática. Líder nas pesquisas, sim, mas com os pés de barro sobre o solo movediço da Operação Mederi. A conferir.
TCU
Em seu editorial dessa quarta-feira, 17 – “TCU (Tribunal de Contas da União) mostra precariedade da política” – o jornal Folha de São Paulo faz um resumo da precariedade nas instituições, quando escreve: “Relatório sobre as contas de 2025 aponta artifícios usados por Lula e Congresso para driblar controles orçamentários”
TCU 2
E continua: “A própria corte atropela normas com gratificação que permite remuneração acima do teto”. São as principais instituições burlando leis e normas. Um péssimo exemplo para tudo o mais.
TCU 3
A Folha foca diretamente na formação do Tribunal de Contas da União, quando explicita: “Reação ao descalabro de Dilma deu maior peso ao tribunal, hoje mais atuante – porém ainda vulnerável a ingerências políticas, dado que 6 de seus 9 ministros são escolhidos pelo Congresso e 1 é de livre indicação do Planalto”.
BANZO
Nos últimos dias, desde que foi defenestrado como candidato ao Senado pelo União Brasil, o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves “mergulhou” no vazio para viver um grande banzo, talvez desnorteado com a atitude de seu partido.
JUSTIFICATIVA
Carlos Eduardo Alves sabe muito bem que o candidato ao governo Alysson Bezerra e o presidente estadual do União Brasil, ex-senador José Agripino lhe aplicaram uma verdadeira “rasteira” ao negar “diplomaticamente” seu direito em disputar o Senado, sob a alegação que a legenda não dispunha de recursos financeiros para sua campanha.
RICO
Mesmo sendo a terceira legenda com maior disponibilidade de recursos financeiros para a atual campanha eleitoral, usaram da alegação da falta desses recursos, para evitar a candidatura de Carlos Eduardo ao Senado.
RAZÃO
Habituada a “dar as cartas” como teria feito nas últimas eleições em que participou como ator principal, Carlos Eduardo Alves apenas se recolheu depois da negativa do União Brasil, vivendo momentos de intenso isolamento político.
PRAZO
Decorridos quase três meses dessa desfeita de seu partido, o União Brasil, o ex-prefeito de Natal volta à cena política para apoiar a candidatura de Alysson Bezerra (União Brasil) e dizer que é candidato a deputado estadual pelo mesmo partido que o defenestrou. Vá entender os políticos profissionais.





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