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RIO GRANDE DO NORTE Jornal Diário do RN: Conversa Livre por Bosco Afonso 24/04/2026 às 09:31

O FIM DA REELEIÇÃO

O cenário político brasileiro atravessa mais um daqueles momentos em que o pragmatismo da gestão pública é atropelado pela urgência do palanque. Assistimos, agora, a uma movimentação agressiva do governo federal para pautar investimentos e reformas estruturais — como a drástica alteração da jornada de trabalho de 6×1 para 5×2 — em pleno ano eleitoral. O que deveria ser fruto de um debate técnico e amadurecido surge como uma imposição a “toque de caixa”, expondo a ferida aberta da nossa democracia: a reeleição para o Executivo.

A manutenção do poder tornou-se o norte absoluto, em detrimento do planejamento de Estado. A tentativa de alterar a legislação trabalhista sem estudos profundos sobre o impacto no setor produtivo é o exemplo mais flagrante dessa miopia. Ignora-se que mais de 90% das empresas brasileiras são micro e pequenas; para estas, uma mudança repentina no regime de descanso não é apenas uma questão de escala, mas de sobrevivência. Sem alternativas menos traumáticas ou períodos de transição fundamentados, o que se vende como “conquista social” pode rapidamente se converter em desemprego e inflação de serviços.

A reeleição, nos moldes atuais, transformou os mandatos em uma eterna campanha. No âmbito municipal, estadual e federal, o último ano de gestão é sistematicamente sequestrado por “pacotes de bondades” e inaugurações apressadas, muitas vezes comprometendo o orçamento dos anos seguintes. O governante deixa de ser um gestor para se tornar um candidato em tempo integral, utilizando a máquina pública como combustível para sua permanência no cargo.

A solução para esse ciclo vicioso é clara, ainda que exija coragem política: o fim da reeleição para cargos do Executivo. Ao estabelecermos um mandato único — talvez com uma extensão para cinco ou seis anos — forçamos o governante a olhar para o horizonte do país, e não para o próximo pleito. Sem a distração da recondução, a prioridade volta a ser o cumprimento do plano de governo apresentado nas urnas.

Um sistema sem reeleição traria a sobriedade necessária para temas complexos. Reformas trabalhistas seriam debatidas com o empresariado e a sociedade civil sob a luz da viabilidade econômica, não sob o calor das pesquisas de intenção de voto. O planejamento deixaria de ser uma peça de ficção eleitoral para se tornar um compromisso de execução.

Enquanto a sobrevivência política individual valer mais que a estabilidade econômica coletiva, continuaremos reféns de medidas açodadas. O Brasil precisa de governantes que pensem nas próximas gerações, e não apenas na próxima eleição. É hora de encerrar o ciclo das “bondades” artificiais e resgatar a seriedade administrativa.

VERBALIZAÇÃO

O prazo definido pela justiça eleitoral para a campanha ainda nem começou, mas os pré-candidatos ao governo do estado não têm perdido a oportunidade de se agredirem mutuamente, sempre com acusações, muitas delas sem fundamentação.

FUNDAMENTAÇÃO

O candidato Álvaro Dias (PL) tem feito críticas contundentes ao governo estadual do PT na área de segurança pública. O governo de Fátima Bezerra, por sua vez, tem mostrado números que traduzem maior segurança para a população.

FUNDAMENTAÇÃO 2

No caso das denúncias de Álvaro Dias contra a segurança pública, ele deveria apresentar números que contrariem os que foram apresentados pela governadora Fátima Bezerra.

Apresentando números reais, de um lado ou outro, não haverá contra argumentos.

MACACO

Diz o dito popular “macaco senta no próprio rabo para falar do outro”. É assim que o pré-candidato Alysson Bezerra vem se conduzindo quando faz acusações ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias sobre a “inauguração” do Hospital Municipal.

ALYSSON

O ex-prefeito de Mossoró tem dito insistentemente, em quase todas as entrevistas concedidas, que Álvaro inaugurou o Hospital Municipal sem estar funcionando. Ok. Só que Álvaro tomou a iniciativa e construiu o hospital que vários prefeitos poderiam ter feito.

ALYSSON 2

Por outro lado, Alysson esquece que às vésperas de renunciar ao cargo de prefeito da segunda maior cidade do estado ele fez o maior carnaval com o se estivesse entregando o novo Estádio “Manoel Leonardo Nogueira”. E tudo estava apenas na maquete. É preciso cuidado com o que falam esses pré-candidatos ao governo.

PROPOSTAS

Enquanto se digladiam através da imprensa os pré-candidatos ao governo do estado ainda não apresentaram propostas concretas para tirar o Rio Grande do Norte do marasmo em que vive hoje. Até o momento, nenhuma proposta real para salvar a Previdência Estadual.

PROPOSTA 2

Além da polarização que virá para a campanha por conta da disputa nacional, caberá aos candidatos apresentarem propostas concretas, viáveis e que a população acredite como viáveis.

Enquanto isso não chega, os pré-candidatos vão ficar mesmo nessas trocas de farpas.

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