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Blog Conversa Livre por Bosco Afonso – Jornal Diário do RN 20/10/2026 às 11:13

DAVI ALCOLUMBRE, O DESLUMBRADO

Resultado do quase final de semana passada, Brasília pareceu estar mais barroca do que o habitual, exalando aquele perfume inconfundível de perucas empoadas, veludo carmesim e salões dourados de Versalhes. Quem diria que o Planalto Central, com seu concreto modernista e suas tesouras de trânsito, acabaria servindo de palco para a reencarnação cabocla da monarquia absolutista francesa.

Davi Alcolumbre, do alto de sua modesta estatura parlamentar, parece ter olhado no espelho pela manhã, ajeitado o nó da gravata e decidido que o Regimento Interno do Senado era pequeno demais para conter sua magnitude. Confrontado com a incômoda ousadia da oposição — que insistia em emendar a PEC da Segurança Pública com a redução da maioridade penal para crimes hediondos —, o presidente da Casa puxou o freio de mão dos trabalhos e soltou a pérola definitiva: “Eu sou o Estado”. Luís XIV, se vivo fosse, certamente pediria direitos autorais ou, no mínimo, uma vaga de assessor comissionado em seu gabinete.

Mas de onde brotou tamanha soberba imperial? Para os atentos observadores dos bastidores do poder, o mistério se desfaz nas taças de um banquete recente. Desde o célebre e regado jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes — o ambiente perfeito para aparar arestas e selar pactos nada discretos —, Alcolumbre saiu completamente deslumbrado pelo reencontro com o presidente Lula. O senador amapaense, que outrora posava de operador autônomo, parece ter sido tocado por uma epifania palaciana: ajoelhou-se sem pudor diante do “estado-maior” da República, ansioso por prestar vassalagem e mostrar serviço à corte.

Assim, suspender a tramitação da PEC virou sua oferenda de lealdade. Nada de quórum qualificado, debate técnico ou clamor popular expressado nas urnas; o que vale agora é o capricho do monarca acólito, empenhado em blindar os interesses do Planalto a qualquer custo.

Se o “Estado é ele”, cabe aos súditos recolherem suas emendas, guardarem seus pareceres e aguardarem até que Sua Graça resolva novamente conceder alguns minutos de democracia ao plenário.

Enquanto nosso Rei Sol tupiniquim dobrava os joelhos em deferência ao poder central, na outra ponta da Esplanada o presidente Lula operava a todo vapor em sua fábrica de milagres pré-eleitorais. Inspirado pelo espírito natalino fora de época, o Executivo resolveu brindar o distinto público com o “passe livre nos finais de semana”. Uma maravilha social, um afago nos bolsos do trabalhador, uma poesia urbana — não fosse por um minúsculo detalhe técnico que os burocratas insistem em chamar de orçamento.

Oferecer passagem de graça sem indicar de onde sairá o dinheiro virou a mais nova modalidade do ilusionismo fiscal brasileiro. Funciona quase como convidar a vizinhança inteira para um churrasco de picanha na sua casa e, na hora de pagar o açougueiro, entregar o cartão de crédito do vizinho que nem foi convidado. O povo ganha o direito de passear de graça no domingo, para descobrir na segunda-feira que a conta do combustível vai cair misteriosamente na fatura de luz ou na tabela de impostos.

Entre monarcas absolutistas de joelhos, juízes anfitriões de jantares providenciais e prestidigitadores que distribuem bondades com o chapéu alheio, a segurança pública e as contas do país continuam no mesmo purgatório. Mas não percamos o otimismo: ao menos o cidadão comum poderá andar de ônibus sem pagar nada no sábado à noite — torcendo, claro, para não ser assaltado no trajeto, já que a discussão sobre crimes hediondos continua trancada sob sete chaves no cofre de Davi, o Deslumbrado.

GUERRA

Não bastasse a guerra de acusações entre os políticos da esquerda, do centro e da direita envolvidos com o Banco Master, agora existe também uma guerra silenciosa entre os veículos de comunicação que receberam benesses de Daniel Vorcaro.

GUERRA 2

Segundo o Metrópoles, o jornal A Folha de São Paulo recebeu R$ 516.441,60 ao longo de 5 anos.

“Cerca de 2,58% do total de R$ 20 milhões em pagamentos feitos por Vorcaro ao Metrópoles”, admite o jornal paulista.

APOIO

O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza oficializou seu apoio, no último domingo, à candidatura de Cadu de Lula ao governo do estado, neste segundo turno.

LÓGICA

Este Diário do RN trouxe matéria na semana passada mostrando os caminhos que o deputado reeleito Ezequiel tomaria neste segundo turno e não deu outra. Como grande liderança do Seridó e recebendo apoios em todas as regiões do RN, Ezequiel vai somar reforços para Cadu de Lula.

INTERIOR

Apesar do candidato Alysson Bezerra contar com um número maior de prefeitos que Cadu de Lula, o que ocorre nesta eleição é que os chefes de executivos municipais não se indispõem com o eleitor que quer votar com Lula e Cadu de Lula.

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