ARTIGO A ingratidão caminha lado a lado com a política de Macau 30/07/2026 às 14:19

Há uma frase bastante conhecida que diz que a política tem o poder de unir adversários e afastar aliados. Em Macau, no entanto, essa máxima parece ganhar um complemento inevitável: a ingratidão também faz parte do jogo e é a máxima de algumas pessoas.
Os bastidores da política macauense são férteis em histórias de amizades que duram apenas enquanto o poder, a influência ou a conveniência permanecem à mesa. Quando a tempestade chega, muitos dos que juravam lealdade desaparecem com a mesma rapidez com que surgiram.
Um exemplo recente envolve o ex-vereador Manoel do Gago. Após enfrentar um delicado problema pessoal, viu de perto como alguns dos que se apresentavam como amigos e aliados simplesmente desaparecerem. Felizmente, não lhe faltou o apoio da família e de um pequeno grupo de amigos verdadeiros, aqueles que permanecem quando os holofotes se apagam.
Não cabe aqui ignorar ou minimizar os erros que Manoel possa ter cometido. Cada um responde por seus atos. Mas, também é impossível deixar de observar como a política costuma ser seletiva na hora de demonstrar solidariedade. Enquanto alguns preferiram o silêncio e negar uma simples ajuda (não era obrigação), porém seria uma demonstração de empatia. Mas, agora que Manoel goza da sua liberdade, e com a aproximação das eleições, reaparecem mensagens, telefonemas e convites para encontros e “confraternizações”.
Coincidência? Talvez. Conveniência? Cada leitor tire suas próprias conclusões.
Na política de Macau, a memória parece ter prazo de validade. Alguns esquecem rapidamente quem estendeu a mão quando tudo estava bem, mas fazem questão de reaparecer quando acreditam que uma velha amizade pode voltar a render dividendos eleitorais.
No fim das contas, a eleição passa, os discursos mudam e os palanques são desmontados. Já a ingratidão, essa continua firme, caminhando lado a lado com a política macauense.



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