JORNALISMO Jornal Diário do RN: Conversa Livre por Bosco Afonso 29/07/2026 às 14:35

SENADOR STYVENSON E O NEPOTISMO
Hoje vamos tratar de um assunto que passeia no limite entre o trágico e o cômico na política do Rio Grande do Norte: o bom e velho nepotismo.
Antes de mais nada, o que é nepotismo? Trata-se da velha prática de conceder cargos, privilégios e facilidades públicas a parentes, trocando o mérito técnico pelo laço de sangue. Em resumo: transformar a máquina pública em extensão do sofá de casa.
Mas isso nos leva a uma provocação inevitável: afinal, ser político é uma profissão? Na prática diária, sim. Exige dedicação exclusiva, articulação constante, presença ostensiva e uma habilidade ímpar de contorcionismo ético. Contudo, do ponto de vista do contrato republicano, a política deveria ser uma missão temporária de representação. Quando encarada apenas como ganha-pão ou carreira vitalícia, abre-se espaço para que o mandato vire um bem patrimonial a ser herdado pela família.
E é aqui que o roteiro potiguar ganha contornos de comédia pastelão. Em 2018, o então capitão da Polícia Militar Styvenson Valentim elegeu-se senador ostentando o pavilhão da moralidade e do combate feroz ao privilégio alheio. Ele era o cruzado antissistema, aquele que bradava aos quatro ventos que o nepotismo era uma chaga a ser varrida da vida pública, chegando até a propor uma PEC contra a prática.
Corte para o momento atual: na articulação política, o mesmo paladino surge cogitando ninguém menos que sua própria irmã, Anne Kelly Valentim, como primeira suplente de sua chapa. A explicação?
Confiança familiar. Ora, se para ser suplente de senador o critério principal é ser do mesmo sangue, a moralidade que encantou o eleitorado virou confete de Carnaval vencido.
Se a política é uma missão pública ancorada na ética, o senador comete um erro gravíssimo de coerência. Caso seja apenas mais um “ofício”, provou que aprendeu rapidinho os vícios da profissão. O hilário — para não dizer trágico — é ver o discurso da pureza se derreter no primeiro calor eleitoral, tratando o eleitor com a ingenuidade de quem ainda acredita em Papai Noel. Resta saber se o povo potiguar vai aceitar o papel de otário no auditório desse circo.
JUSTIFICATIVAS
Durante as várias entrevistas em que o senador Styvenson Valentim (Podemos) concedeu durante as convenções partidárias, a curiosidade sobre a indicação de sua irmã para sua suplente foi quase que unânime.
JUSTIFICATIVAS 2
Óbvio que todos queriam saber sobre a mudança de opinião do senador Styvenson sobre o nepotismo agora praticado, e a cada uma das entrevistas a explicação para seu gesto sempre mudava. Mas em nenhum momento, o “guardião da moralidade” detalhou a prática do nepotismo.
RESPOSTAS
Em quase todas as suas respostas, o senador Styvenson preponderava sua fala em confiança. “Eu confio na minha irmã”, mas justificar a sua mudança sobre a prática de nepotismo, nada. E agora, como será que o eleitorado de Styvenson vai reagir diante de sua mudança?
LAÇOS
Os laços políticos que ligavam o vice-governador Walter Alves (MDB) ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB) se romperam amigavelmente para o atual pleito. Nesse “desamarrar” político, Waltinho saiu mais prestigiado.
ROMPIMENTO
O desenlace político entre as duas grandes lideranças foi pacífico. Enquanto o vice-governador Walter Alves tomou decisão imediata e foi apoiar a candidatura de Alysson Bezerra (União Brasil), o deputado Ezequiel Ferreira de Souza demorou a tomar posição política.
CAMINHOS
Com Ezequiel e Walter tomando caminhos políticos diferentes, Waltinho saiu na frente e o seu partido, o MDB, ganhou o direito de indicar o deputado Hermano Morais como candidato a vice-governador na chapa de Alysson Bezerra.
CAMINHOS 2
Já o deputado Ezequiel, também presidente de um grande partido, o PSDB, demorou a tomar sua decisão política e na hora em que se definiu por apoiar a candidatura de Álvaro Dias (PL), a chapa já estava completa.
FORÇAS
Walter e Ezequiel são dois fortes postulantes a voltar ocupar assento na Assembleia Legislativa. Ambos poderão constituir duas grandes bancadas na Assembleia Legislativa. Tanto o MDB quanto o PSDB têm possibilidade de eleger robustas bancadas.
AFINIDADE
E em razão da afinidade entre as duas lideranças, é possível que Walter Alves e Ezequiel Ferreira de Souza se reencontrem politicamente já a partir de 2027. O tempo dirá.
WALTER
Durante o tempo em que esteve aliado do governo do PT, o vice-governador Walter Alves ficou praticamente marginalizado. Suas indicações eram pífias, e nenhum prestígio para com os prefeitos de sua legenda.
WALTER 2
Agora, Waltinho está se valendo de suas emendas parlamentares – ainda quando deputado federal – quando carreou quase R$ 250 milhões para os vários municípios potiguares e que foram transformados em benefícios para a população nas várias regiões do Rio Grande do Norte.



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