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RIO GRANDE DO NORTE Cultura às escondidas: Prefeitura de Macau “recebe” Casa do Conde em clima de reunião secreta 10/02/2026 às 12:05

Se a cultura de Macau estivesse viva e respirando, certamente não teria sido trancada numa sala fechada, sem convite e sem plateia, como fez a Prefeitura de Macau, ao “receber”, quase às escondidas, a Casa do Conde e o Museu João de Aquino, na manhã de hoje, terça-feira, dia 10 de fevereiro.

Nada de artistas, nada de escritores, nada de intelectuais. Nem quem vai ocupar o espaço foi lembrado.

Uma grande falta de respeito e atenção.

Para se ter ideia do nível do desprezo, o presidente e vice-presidente da Academia Macauense de Letras, instituição que funcionará na Casa do Conde, simplesmente não foram convidados.

Um detalhe? Não! Não foram de imediato.

Só receberam a comunicação ontem à noite, segunda-feira, dia 09 de fevereiro, via mensagem de aplicativo.

O “recebimento” foi restrita a um clube fechado de secretários, adjuntos e assessores, convocados por uma mensagem fria e autoritária que mais parecia ordem de serviço do que convite institucional:

“Senhores Secretários, Adjuntos e Assessores, é com muita satisfação que a prefeita convoca a todos para juntos receberem os prédios do Museu e da Casa do Conde. Amanhã, 10/02, às 10h, aqui ao lado do Leve Mais. Sua presença será indispensável.”

Indispensável para quem?

Para a cultura, certamente não.

Os vereadores, que representam o povo, só souberam do evento às 22h da noite anterior, como quem recebe aviso de última hora para não dizer que não avisou.

A classe artística e literária da cidade?

Completamente ignorada, como se fosse um estorvo e não a razão de existir um museu e um espaço cultural.

O recado da gestão é cristalino: cultura não é prioridade, é figurante. Serve para foto, discurso e propaganda, mas não para diálogo, respeito ou participação.

E isso não é novidade. O Teatro Hianto de Almeida, que funciona na antiga Escola Ressurreição, segue fechado até hoje, abandonado pela mesma administração que agora posa de guardiã da memória cultural de Macau.

Inaugurar espaço cultural sem cultura, sem artistas, sem escritores e sem o povo não é valorização.

É maquiagem.

É encenação.

É mais um capítulo do descaso oficial com a identidade cultural da cidade.

Macau merece mais do que inaugurações às escondidas. Merece respeito.

E, principalmente, merece uma gestão que entenda que cultura não se faz em segredo.

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