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RIO GRANDE DO NORTE Conversa Livre por Bosco Afonso: Walter, a renúncia que escancara o RN 13/01/2026 às 11:27

O tabuleiro político do Rio Grande do Norte está prestes a presenciar um movimento que desafia a lógica da ascensão ao poder. Com a iminente renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT) para disputar o Senado, o caminho natural seria a posse de seu vice, Walter Alves (MDB). No entanto, o que se desenha nos bastidores não é a preparação para o governo, mas uma retirada estratégica que, sob um olhar mais atento, assemelha-se a uma capitulação.

Ao que tudo indica, Walter decidiu não assumir o governo em abril de 2026. A justificativa oficial repousa sobre o abismo financeiro do Estado: uma máquina administrativa asfixiada, com arrecadação incerta e o risco real de atrasos salariais. Mas, ao fugir da responsabilidade de gerir a crise, Walter Alves acaba por expor a penúria da gestão Fátima e, simultaneamente, assina um atestado de desprendimento que beira o apequenamento político.

A primeira consequência dessa decisão é o abandono da base. Ao optar por disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa em vez de comandar o Executivo, Walter deixa prefeitos, vereadores e lideranças do MDB órfãos de uma caneta forte no Centro Administrativo. Como explicar aos aliados que o líder do partido preferiu o conforto de uma candidatura segura no Legislativo ao desafio de liderar o Estado, mesmo em tempos de “vacas magras”? A mensagem é clara: o projeto pessoal de sobrevivência eleitoral sobrepôs-se ao projeto coletivo do partido.

Há também um cálculo de futuro que parece equivocado. Mesmo que Walter Alves conquiste uma votação expressiva para deputado estadual, ele retornará à Assembleia em uma posição de menor peso político. No xadrez partidário, quem não detém o comando do Executivo ou uma cadeira no Congresso Nacional acaba perdendo espaço. No médio prazo, Walter corre o risco real de ver o controle do MDB potiguar escorregar para as mãos de lideranças com maior projeção federal, como um deputado federal ou um senador.

Ao abdicar do cargo, Walter empurra o RN para um cenário de incertezas. Com a provável recusa também de Ezequiel Ferreira de Souza, o Estado será entregue ao Presidente do Tribunal de Justiça para a convocação de eleições indiretas. Enquanto o Rio Grande do Norte busca um gestor de “mandato tampão” para administrar o caos até dezembro de 2026, a biografia de Walter Alves ficará marcada pela imagem do herdeiro que recusou a coroa por medo do peso que ela carregava.

A decisão de Walter é, sem dúvida, um divisor de águas. Resta saber se ele conseguirá sobreviver politicamente após escancarar que não teve coragem — ou estrutura — para enfrentar a tempestade fiscal que o PT deixa como herança. Na política, espaço vazio se ocupa; e quem recua, raramente volta com a mesma força.

Jornal Diário do RN

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