RIO GRANDE DO NORTE Carnaval no Escuro: Macau chega à véspera da folia refém do improviso e do silêncio oficial 12/02/2026 às 09:40

A apenas 48 horas do Carnaval, Macau vive um roteiro que ninguém esperava, e ninguém merece. Na cidade que já foi sinônimo de festa, multidão e projeção estadual, o que impera hoje não é o som dos trios, mas o barulho ensurdecedor da ausência de informação. Até agora, a Prefeitura não divulgou a programação oficial, não apresentou grade de atrações, tampouco esclareceu onde, quando e com quem a festa vai acontecer.
Em pleno século da comunicação instantânea, Macau enfrenta um verdadeiro apagão administrativo.
E não se trata de detalhe. Trata-se do evento mais importante do calendário econômico e cultural da cidade.
Desorganização virou método?
A gestão municipal parece ter transformado a falta de planejamento em padrão. Nas ruas, o clima é de incredulidade. Nas redes sociais, o tom já flerta com o sarcasmo. A cidade que um dia se orgulhou de sediar o maior carnaval de rua do Rio Grande do Norte hoje assiste, perplexa, ao seu próprio esvaziamento simbólico.
Enquanto municípios vizinhos, alguns com orçamento infinitamente menor, anunciaram atrações, polos e horários há semanas, Macau permanece muda. O único som que vem do Palácio João Melo são decretos burocráticos, regulando horários e normas. Mas o essencial segue oculto: quem vai tocar? onde vai acontecer? vale a pena ficar na cidade?
Sem respostas, sobra frustração
“É um desrespeito com quem vive da festa. As pousadas não sabem o que dizer ao turista, os ambulantes não sabem onde se posicionar e o folião não sabe se fica ou se vai embora”, desabafa um morador.
Valorização cultural ou cortina de fumaça?
A explicação oficial, repetida em notas tímidas, aposta num Carnaval de “valorização cultural” e no fortalecimento dos blocos locais, via editais. A proposta, em tese, é válida. Na prática, soa como discurso desconectado da realidade.
O argumento da crise financeira e do “pé no chão” não convence quando vem acompanhado de falta de transparência, atraso e improviso. Para muitos, a narrativa parece apenas uma tentativa de maquiar a incapacidade de planejamento e de articulação para garantir atrações que historicamente colocaram Macau no mapa da folia potiguar, como o emblemático e hoje quase extinto mela-mela.
Valorizar a cultura local não significa abandonar a comunicação, ignorar o impacto econômico e tratar a população no escuro.
O preço do amadorismo
O prejuízo já começou e não é simbólico.
Hotéis registram baixa procura. Comerciantes hesitam em reforçar estoques. Donos de bares, restaurantes, lanchonetes e barraqueiros da Praia de Camapum operam no modo sobrevivência, com medo de investir e ficar no prejuízo. O Carnaval, que sempre foi o maior motor econômico do primeiro semestre, virou um risco calculado, ou melhor, um risco imposto.
Em 2026, tudo indica que a maior atração do Carnaval de Macau não será um trio elétrico, nem um grande nome da música. Será o descaso.
A Prefeitura segue em silêncio. O tempo corre. E a cidade, que deveria pulsar expectativa, assiste à contagem regressiva com indignação. Se nada mudar, esta edição da folia corre o sério risco de entrar para a história, não pela alegria, mas como o retrato acabado do amadorismo de quem tinha a obrigação de fazer acontecer.
Macau merece mais. O Carnaval também.





Deixe um comentário